A 31ª edição da Hospitalar , realizada entre 19 e 22 de maio no São Paulo Expo, abriu suas portas reunindo 1.272 marcas expositoras, 85 mil visitas profissionais previstas e participantes de 55 países . Antes mesmo dos quatro dias se completarem, o primeiro dia já entregava o tom da edição: a saúde brasileira está atravessando uma transição em que logística, infraestrutura, hotelaria, governança de IA e integração de sistemas deixaram de ser pautas separadas e passaram a compor uma agenda única de eficiência operacional. Neste artigo, organizamos o que os debates do dia de abertura — cobertos pelo Saúde Business, mídia oficial do evento — revelaram sobre o momento atual do setor.
Supply chain hospitalar: gestão colaborativa e a chegada dos grandes operadores logísticos
O 2º Congresso de Supply Chain (CSC) abriu o dia com o painel "Gestão Colaborativa e Sinérgica: O Modelo da AHFIP" , conduzido por Wilson Leite Pereira Jr , CEO da Associação de Hospitais Filantrópicos. O modelo apresentado mostra como instituições filantrópicas têm conseguido reduzir desperdícios e otimizar compras de suprimentos por meio de cotações conjuntas entre múltiplos hospitais . A lógica é simples e poderosa: agregar demanda dispersa em ordens unificadas, reduzir preço unitário, padronizar especificações e ganhar previsibilidade de estoque. Anderson Cremasco , curador do congresso, destacou que o modelo agiliza o processo, otimiza etapas e organiza melhor as informações necessárias para a operação.
O painel também trouxe um movimento que reorganiza o tabuleiro: a entrada do Mercado Livre na logística de saúde, representado por Luiz Vergueiro , diretor sênior de logística. A perspectiva apresentada — entrega direta ao paciente ou ao hospital, com infraestrutura de last-mile já consolidada em outras verticais — sinaliza que o supply chain hospitalar começa a ser disputado por operadores logísticos generalistas com escala. Para hospitais de médio porte, isso pode representar acesso a níveis de serviço logístico antes restritos a grandes redes. Para gestores administrativos, é mais uma camada de complexidade integrativa a ser gerida.
A leitura do primeiro dia da Hospitalar 2026 é clara: não existem mais pautas isoladas em gestão hospitalar. Supply chain, hotelaria, facilities e tecnologia se entrelaçam, e o hospital que opera essas dimensões em silos perde, no agregado, o que ganha em cada uma isoladamente. — equipe criativa.app
Hotelaria, facilities e a humanização como vetor de eficiência
O Congresso de Hotelaria e Facilities (H&F) , sob curadoria de Marcelo Boeger (Hospitallidade Consultoria) e com apoio da ABDEH — Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar , dedicou o primeiro dia a temas operacionais frequentemente subestimados: operação de lavanderia, rouparia, higiene predial, gerenciamento de leitos e infraestrutura de facilities . Boeger é direto sobre o porquê: são áreas essenciais para ampliar a eficiência hospitalar e, consequentemente, melhorar a experiência do paciente durante sua permanência no hospital. Em outras palavras, humanização não é tema de coffee break — é tema de KPI.
Doris Vilas Boas , presidente da ABDEH, sintetizou a tese central do painel: ter uma equipe eficiente e uma infraestrutura adequada é fundamental, mas o acolhimento continua sendo um dos principais aspectos buscados por quem procura atendimento. É um lembrete importante para um setor que, nos últimos anos, oscilou entre encantamento por tecnologia e desatenção ao óbvio. Hotelaria hospitalar não compete com inovação digital — ela é o substrato sobre o qual a inovação digital ganha sentido prático para o paciente.
Governança de IA: o CTISD abre com a Resolução CFM 2454/2026 no centro
O Congresso de Tecnologia e Inovação para Saúde Digital (CTISD) , com curadoria da ABCIS — Associação Brasileira de CIOs e Gestores de Tecnologia em Saúde , abriu sua programação com o painel "Melhores práticas de Governança de IA em Saúde" . A composição da mesa explicita a relevância: Gustavo Guimarães , Diretor Executivo da Rede D'Or, Carlos Lima , Diretor Jurídico da ABCIS, e mediação de Mônica Pugliese , Diretora de Inovação e IA Aplicada da Rede D'Or. O recado de Lima ao plenário foi categórico: governança de IA é hoje necessidade estratégica, regida por marcos como a LGPD, a Resolução CFM nº 2.454/2026 e normas específicas da Anvisa .
Houve consenso entre os especialistas: a adoção de ferramentas de IA deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar requisito de sobrevivência. Guimarães resumiu o desafio em uma frase: o dilema entre inovar e controlar é uma realidade constante para as empresas. Para hospitais brasileiros — sobretudo os que operam no SUS, no contratualizado e nos contextos de saúde suplementar — esse debate desce ao chão rapidamente. Sistemas de gestão hospitalar como o C8X , plataforma da criativa.app, já operam dentro dessa lógica: integração nativa com sistemas regulatórios do SUS (incluindo o Complexo Regulador estadual do RS — GERCON, GERINT, GERPAC), separação clara entre dados clínicos e administrativos, controles de acesso por perfil e registros auditáveis. A Hospitalar 2026 confirmou: a próxima onda da saúde digital brasileira não será de produtos novos, será de governança bem-feita do que já está rodando .