Nem toda transformação da saúde acontece nos grandes palcos. Na mesma semana em que o CONASEMS reunia o SUS inteiro na FIERGS, alguns quilômetros dali, em um dos endereços mais férteis da inovação brasileira, acontecia um encontro menor em público, mas denso em conteúdo: um workshop do Programa Healthtechs do Sebrae , dedicado a preparar startups de saúde para o desafio mais difícil que elas enfrentam — não construir a tecnologia, mas vendê-la. O palco foi o TecnoPUC, e o tema, direto ao ponto: como uma healthtech chega ao governo e como chega ao mercado.

O TecnoPUC: onde a PUCRS transforma conhecimento em negócio

Para quem não conhece, vale situar o lugar. O TecnoPUC é o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, inaugurado em 2003 e hoje um dos ecossistemas de inovação mais premiados e dinâmicos da América Latina. São mais de 200 organizações reunidas — de startups em estágio inicial a operações de gigantes como Dell, HP, Microsoft e Oracle —, tudo sob o conceito de inovação aberta: a lógica de que o valor nasce da troca constante entre academia, empresas, governo e sociedade. É considerado o embrião do movimento de inovação que hoje faz de Porto Alegre uma referência nacional, peça central de iniciativas como a Aliança para Inovação e o Pacto Alegre. A criativa.app é parceira da PUC nesse ecossistema — e estar dentro dele não é detalhe, é posicionamento.

Workshop para healthtechs do Programa Healthtechs do Sebrae realizado no TecnoPUC, o parque científico e tecnológico da PUCRS em Porto Alegre
O TecnoPUC, parque científico e tecnológico da PUCRS, é um dos ecossistemas de inovação mais premiados da América Latina — e casa do workshop Healthtechs.

Foi nesse ambiente que o Programa Healthtechs , a primeira aceleração do Sebrae RS voltada exclusivamente à saúde, reuniu suas startups para uma imersão prática. E aqui vale reconhecer o acerto do Sebrae: em vez de mais uma palestra genérica sobre "empreender em saúde", o workshop foi cirúrgico ao dividir o desafio comercial de uma healthtech em suas duas frentes reais e distintas — vender para o governo e vender para empresas. Quem já tentou fazer as duas coisas sabe que são jogos com regras opostas, e tratá-las separadamente é o tipo de curadoria que só quem entende o setor consegue fazer.

Construir a tecnologia é metade do caminho. A outra metade — chegar a quem paga por ela — é onde a maioria das healthtechs tropeça. Foi disso que o workshop tratou. — equipe criativa.app

Duas frentes, duas palestras: B2G e B2B

A primeira palestra, conduzida por Bruna de Oliveira Lourenço Machado , mergulhou no universo do B2G — o business to government, a arte de vender para o poder público. É um terreno que assusta muita startup, e com razão: ciclos longos, licitações, exigências de conformidade, orçamentos que obedecem a calendários próprios e uma lógica de decisão que raramente se parece com a do mercado privado. Entender esse jogo — como o setor público compra, o que ele valoriza, como uma solução de saúde entra no radar de uma secretaria — é o que separa a healthtech que sonha em atender o SUS daquela que efetivamente atende. Num ano em que o próprio CONASEMS colocou a tecnologia no centro do debate, dominar o B2G nunca fez tanto sentido.

A segunda palestra trouxe Felipe Busin , sócio-fundador da KnowU , para tratar do B2B — vender para outras empresas, como hospitais, operadoras e clínicas. A escolha do palestrante não foi aleatória: a KnowU é uma startup gaúcha que construiu sua trajetória exatamente nesse território, desenvolvendo plataformas de gestão de dados populacionais e mapeamento epidemiológico para operadoras de saúde. Quem constrói e vende uma solução de dados em saúde para o mercado privado conhece na pele os obstáculos que uma healthtech em crescimento vai enfrentar: o ciclo de decisão por comitê, a necessidade de provar retorno concreto, a diferença entre um lead curioso e um cliente que assina. Ouvir isso de quem já percorreu o caminho vale por meses de tentativa e erro.

Por que esse tipo de iniciativa importa

É fácil subestimar um workshop diante de um congresso de catorze mil pessoas. Seria um erro. Enquanto o CONASEMS mostra o destino — um SUS mais inteligente, movido a dados e tecnologia —, iniciativas como o Programa Healthtechs constroem o caminho, formando as empresas que vão, de fato, entregar essa transformação. Um sistema de saúde não se moderniza só por decisão de cima; ele se moderniza quando existe um tecido de startups capazes de traduzir necessidade em solução, e capazes de sobreviver comercialmente para continuar entregando. O trabalho do Sebrae, ancorado num ecossistema como o TecnoPUC e na PUCRS, é exatamente esse: transformar boas ideias em negócios viáveis.

A criativa.app acompanha esse movimento de perto porque é dele que faz parte. Como parceira da PUC e integrante do ecossistema de inovação gaúcho, entende que a saúde do futuro será construída por muitas mãos — governo, universidades, Sebrae, hospitais e as healthtechs que aprendem, em workshops como este, a transformar tecnologia em impacto real. É esse ambiente de troca, e não o esforço isolado de uma empresa só, que faz uma solução como o TabSUS — módulo do C8X, desenvolvido pela criativa.app — nascer conectada às necessidades reais de quem administra a saúde. Construir junto sempre foi, e continuará sendo, o melhor caminho.

Perguntas frequentes

O que é o TecnoPUC?

O TecnoPUC é o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, um dos ecossistemas de inovação mais premiados da América Latina. Inaugurado em 2003, abriga mais de 200 organizações entre startups, multinacionais e centros de P&D, operando sob o conceito de inovação aberta. A criativa.app é parceira da PUC nesse ecossistema.

O que é o Programa Healthtechs do Sebrae?

É a primeira aceleração do Sebrae RS voltada exclusivamente ao setor da saúde, que conecta startups a especialistas, mentores e players do ecossistema para desenvolver soluções inovadoras. O workshop no TecnoPUC fez parte dessa jornada de capacitação.

Qual a diferença entre B2G e B2B para uma healthtech?

B2G (business to government) é vender para o poder público, com ciclos longos, licitações e regras próprias. B2B (business to business) é vender para outras empresas, como hospitais, operadoras e clínicas. As duas palestras do workshop trataram exatamente dessas duas frentes, essenciais para uma healthtech crescer.