O 24º AUDHOSP e o 10º AUDHASS começaram em Águas de Lindóia com uma programação que praticamente desmonta o faturamento hospitalar peça por peça. Antes mesmo das mesas principais, o pré-congresso de 15 de setembro colocou em salas paralelas temas como AIH e APAC em oftalmologia, Rede Alyne, SIRESP, contratos e metas de OSS, SIHD2, exame anatomopatológico, transplantes e o componente cirúrgico da Portaria 3.245/2025 . À tarde, cinco oficinas avançaram sobre IA e auditoria hospitalar, oncologia, ortopedia, faturamento no SUS e emendas parlamentares. A oficina “Profissional do Futuro — IA & Auditoria Hospitalar” chegou ao evento com as vagas esgotadas.
O primeiro dia já mostrou onde estão as dores reais
Na oficina de Faturamento no SUS , Francisco Coelho trabalhou princípios e regras do SIH e as diferenças entre AIH clínica, cirúrgica e obstétrica. Em outra sala, a oncologia entrou pela nova APAC, pré-autorização, medicamentos, incorporações e mudanças na radioterapia. A ortopedia levou para a discussão compatibilidade de procedimentos e OPM, artrodese, artroplastia, fraturas e cirurgias sequenciais e múltiplas. E, no pré-congresso sobre SIHD2, Vanderlei Moya tratou diretamente do papel do gestor no controle e avaliação dos bloqueios e das AIHs apresentadas . Não foi uma abertura genérica sobre inovação: o evento começou dentro dos pontos em que registro, regra e faturamento se encontram.
Às 18h30, a abertura oficial reuniu Edson Rogatti , presidente da Fehosp; Valdir Pereira Ventura , CEO do Grupo São Cristóvão Saúde; Anis Ghattás Mitri Filho , presidente da AHOSP; Vanderlei Moya , do GNACS/SES-SP; Rogério Medeiros , diretor da Santa Casa de Francisco Morato; Letícia Bellotto Turim , presidente do Grupo Chavantes; e Angela Mara , gerente técnica da Fehosp. A noite terminou com a palestra magna de Katia Magni, “Transformar Pessoas para Transformar a Saúde”, colocando competência e humanidade no centro de uma agenda que, nos dias seguintes, mergulharia em dados, auditoria e tecnologia.
A IA processa o volume, mas o repertório humano confere direção, ética e eficiência ao resultado. — Vanderlei Soares Moya, coordenador científico do AUDHOSP
Em 16 de setembro, a programação saiu do conceito e entrou nos sistemas
A manhã do AUDHOSP foi organizada em torno dos sistemas que sustentam o registro da produção. Das 8h30 às 9h45, Flaviana Rodrigues conduziu o tema Tabela SUS, SIGTAP e Repositório de Terminologia em Saúde. A escolha da palestrante não é casual: a própria organização destaca sua experiência na gestão do SIGTAP e do RTS no setor público. Das 9h45 às 10h30, Luanna Costa assumiu o CNES; ela atua como gerente do Núcleo de Cadastro de Estabelecimentos de Saúde, na estrutura de gestão de sistemas de informação da atenção especializada do Ministério da Saúde. Depois do intervalo, Daiane Araujo e Haline Souza entraram em CMD Coleta e CMD Gestão. À tarde, a agenda avançou para APAC de medicamentos oncológicos e radioterapia, APAC de OCI e, no fim do dia, hemoterapia do registro da coleta à transfusão.
É difícil olhar para essa sequência e dizer que o problema do faturamento SUS é apenas “ter acesso ao dado”. O congresso está discutindo como o dado nasce, em que sistema é registrado, quais cadastros o sustentam e como ele chega à produção . Essa é uma preocupação que também orienta o trabalho da criativa.app . Fora da programação oficial do evento, o TabSUS nasceu justamente para enfrentar outra etapa desse problema: tornar dados públicos do DATASUS mais visíveis e comparáveis para quem precisa analisar AIHs, CNES, competências, procedimentos e valores. Não é o dado por si só que resolve. É a capacidade de encontrá-lo, cruzá-lo e transformá-lo em uma pergunta que a gestão consiga responder.
O congresso reservou espaço até para a dúvida que normalmente fica depois da palestra
Um detalhe da programação mostra o caráter técnico desta edição: além das mesas, a Fehosp abriu Salas de Atendimento . Nos dias 16 e 17, os congressistas podem tratar de emendas parlamentares, emendas federais, auditoria interna do SUS, custeio MAC e controle primário nos sistemas de informação da atenção especializada. No dia 16, das 17h às 18h, a própria Comissão Científica atende dúvidas sobre registro da produção no programa Agora Tem Especialistas, produção e processamento dos sistemas de informação, motivos de bloqueio e rejeição de AIH, cirurgias múltiplas e sequenciais, registro da produção na AIH e saúde suplementar. Isso aproxima a programação daquilo que realmente trava a rotina: a dúvida específica, o bloqueio concreto e a regra que precisa ser interpretada.
A criativa.app está acompanhando o AUDHOSP e o AUDHASS presencialmente em Águas de Lindóia porque é nesse tipo de ambiente que tecnologia deixa de ser discurso e encontra a operação. A agenda deste ano mostra isso com clareza: antes de falar em futuro, o congresso está falando de SIGTAP, CNES, CMD, APAC, AIH, bloqueios e registro da produção. Para quem desenvolve tecnologia para saúde, acompanhar essas conversas é parte do trabalho. Informação invisível não resolve problema real — e o primeiro passo para qualquer inteligência é entender exatamente onde, como e por que o dado é produzido.
Perguntas frequentes
Quais temas abriram o AUDHOSP 2026?
O pré-congresso de 15 de setembro tratou de AIH e APAC em oftalmologia, Rede Alyne, SIRESP, OSS, SIHD2, exame anatomopatológico, transplantes e componente cirúrgico. À tarde houve oficinas de IA e auditoria, oncologia, ortopedia, faturamento no SUS e emendas parlamentares.
O que foi discutido no AUDHOSP em 16 de setembro?
A programação oficial reuniu Tabela SUS, SIGTAP, Repositório de Terminologia em Saúde, CNES, Conjunto Mínimo de Dados, APAC de oncologia, radioterapia e OCI, além de hemoterapia do registro da coleta à transfusão.
Qual a relação do TabSUS com esse debate?
O TabSUS não faz parte da programação oficial do congresso. A conexão editorial está no problema: dados públicos do SUS só ganham utilidade operacional quando podem ser organizados, comparados e interpretados por faturamento, auditoria e gestão.