O tema “As perdas invisíveis de faturamento” aparece na programação do AUDHOSP 2026 em uma mesa de 30 minutos, mas o congresso começou a construir essa discussão dois dias antes. No pré-congresso de 15 de setembro, a sala de SIHD2 tratou do papel do gestor no controle e avaliação dos bloqueios e das AIHs apresentadas . À tarde, a oficina de Faturamento no SUS voltou ao básico que decide muita coisa no fechamento: princípios e regras do SIH e diferenças entre AIH clínica, cirúrgica e obstétrica. O evento não chegou às “perdas invisíveis” por slogan; chegou por uma trilha de regras, registros, bloqueios e controle.

Antes da perda invisível, o AUDHOSP colocou o bloqueio visível na mesa

A sequência é importante. No SIHD2, Vanderlei Moya levou para o pré-congresso o controle das AIHs apresentadas e seus bloqueios. Na mesma manhã, o exame anatomopatológico foi discutido a partir de uma pergunta operacional: como e o que pode ser registrado na AIH . Em outra sala, transplantes e o componente cirúrgico da Portaria 3.245/2025 entraram por novos procedimentos, incentivos financeiros, valores, incrementos e cálculo. Ou seja: a programação foi mostrando que faturamento não começa na conta final; ele depende das regras que definem o que pode ser registrado, como deve ser apresentado e o que pode bloquear o processamento.

Análise de AIHs, bloqueios, rejeições e indicadores de faturamento hospitalar
O caminho até as “perdas invisíveis” no AUDHOSP passa por SIHD2, bloqueios, regras de registro e leitura da AIH.

No dia 17, a programação concentra esse raciocínio na Mesa 6 — Faturamento em AIH , das 14h às 16h. Francisco Coelho abre o bloco com “As perdas invisíveis de faturamento”. Em seguida, Vanderlei Moya trata de “Cirurgias sequenciais sem portaria publicada”, e Edson Mergulhão discute o papel do gestor local na primeira e na segunda linha de defesa. Francisco chega ao tema com 30 anos de atuação na saúde e experiência em faturamento SUS, saúde suplementar, ciclo da receita, controladoria, custos e gestão hospitalar, além de ocupar a superintendência financeira e de controladoria da Santa Casa BH.

Faturamento e auditoria passaram a ocupar posição estratégica dentro das instituições de saúde. — mensagem institucional do 24º AUDHOSP e 10º AUDHASS

A grande pergunta não é apenas “quanto foi rejeitado?”

A estrutura da mesa mostra uma mudança de foco. Uma rejeição é visível: existe um motivo, um registro e um problema que pode ser investigado. A expressão “perdas invisíveis” desloca a atenção para aquilo que pode estar dentro do volume sem aparecer como um alerta óbvio. Por isso o tema está ao lado de cirurgias sequenciais e das linhas de defesa do gestor. Logo depois, das 16h às 17h, o AUDHOSP dedica outra mesa ao monitoramento e aos resultados da Tabela SUS Paulista , com Renata Appolinário e Maria Silvia, e fecha o dia com uma Mesa dos Especialistas para perguntas.

Para a criativa.app , esse ponto conversa diretamente com uma preocupação de produto: informação que existe, mas permanece escondida em milhares de registros, não ajuda a gestão até ser transformada em leitura. É nesse recorte que o TabSUS trabalha com dados públicos do DATASUS, organizando AIHs, competências, procedimentos, valores e comparações para facilitar a análise. Isso não significa afirmar que todo desvio é perda recuperável — e nem que um painel substitui faturistas e auditores. Significa dar visibilidade aos sinais que merecem investigação técnica.

O Prêmio Fátima Conceição transforma cases implantados em parte do congresso

Há outro elemento concreto no AUDHOSP 2026 que reforça essa busca por resultado: a 2ª edição do Prêmio Fátima Conceição . O regulamento exige trabalhos concluídos ou implantados, com coleta de dados, análise de resultados e conclusão. Os dez melhores projetos são expostos durante o congresso e avaliados pelos próprios congressistas, em voto individual vinculado ao CPF, que escolhem os cinco mais bem colocados. Entre os objetivos formais do prêmio estão tornar pública a evolução da gestão do ciclo de receitas, integrar faturamento às demais áreas hospitalares e ampliar o uso de indicadores para autoavaliação. Os vencedores serão anunciados no encerramento de 18 de setembro.

É esse nível de discussão que a criativa.app veio acompanhar em Águas de Lindóia: não “inovação” como palavra vazia, mas bloqueio de AIH, SIHD2, cirurgias sequenciais, linhas de defesa, Tabela SUS Paulista e cases que precisam mostrar resultado. Estar perto de quem fatura, audita e gere hospitais é uma forma de manter a tecnologia conectada ao problema real. Se um dado importante está lá, mas ninguém o vê a tempo, ele continua invisível para a decisão.

Perguntas frequentes

Por que o tema das perdas invisíveis aparece no AUDHOSP 2026?

Porque a programação conecta controle de bloqueios no SIHD2, regras de faturamento em AIH e uma mesa específica sobre perdas invisíveis, cirurgias sequenciais e linhas de defesa.

Quem apresenta o tema das perdas invisíveis de faturamento?

Francisco Coelho, superintendente financeiro e de controladoria da Santa Casa BH e CEO da FormSaúde, com 30 anos de atuação em faturamento SUS e saúde suplementar, ciclo da receita, custos e gestão hospitalar.

O TabSUS promete recuperar valores perdidos?

Não. O TabSUS organiza dados públicos do SUS e facilita a leitura de AIHs, competências, procedimentos e valores. A decisão sobre inconsistências, correções ou possibilidade de recuperação depende da análise técnica da instituição.